Sempre encontraremos pedras em nossos caminhos. Algumas serão pequenas; outras, tão grandes que não poderemos olhar por cima delas. A única certeza é de que teremos de saltá-las, destruí-las, observá-las, rodeá-las ou deixá-las em seu próprio caminho. A escolha é nossa.
14 setembro 2006
Comunicação?
meias-palavras de amor
o surdo-poeta só ouve
alguma coisa sobre dor
Keila Sgobi
13/09/2006
09 setembro 2006
escolhas
Perde-se a noção do caminhar
Parte dele vai adiante, sem parar
A outra fica, a remediar
O percurso do sangue está dado:
pelas artérias e veias correr
O problema é o coração parado,
Que insiste em não bater
No movimento perpétuo
O sangue continua jorrado
Preenchendo seus espaços
Sem nenhum significado
Cansado desta vida
De bater descompassado
O coração amuado
Deu uma de revoltado:
Deixou de bater ritmado
E morreu descansado.
Keila Sgobi
09/09/2006
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07 setembro 2006
Inverno
que a natureza emana
sinto falta de alguém que ame
e, à noite, aqueça minha cama.
Keila Sgobi
06/09/2006
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06 setembro 2006
_scendo...
O Sol está
se apagando...
O Sol
está se
apagando...
e ninguém acende as luzes
- Eu não quero dormir!
O Sol
está se
apagando...
gradualmente
pausadamente
paulatinamente...
O Sol
está se
apagando
e o Pico *
verde-muzgo
ficando
mais escuro
sendo...
E o Sol
vai se
apagando...
Diminuo a
velocidade
- Não quero dormir
quero ver o Sol
se escures[c]endo
se recrudescendo
se escondendo...
E o Sol
vai se
indo...
O Pico
cada vez mais
perto
cada vez mais
preto
no escuro-
sendo,
sua luzinha
pisca...
pisca...
pisca...
pisca...
pisc...
pis...
Keila Sgobi
05/07/2006
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02 setembro 2006
Mundo aquático
Keila Sgobi
02/09/2006
(Copyleft)
28 agosto 2006
Isto não é um poema...
...ma[i]s um dia ensolarado
de nuvens caminhando ao meu lado
sem destino, em solidão
um dia inusitado
em que questionei meu estado
talvez chegando a alguma conclusão
sonhei ler meu caminho escrito
sem previsões em desalinho
ou compassos de dor e confusão.
vislumbrei meu presente
pretensões existentes
alegrias sem um senão
sem me aperceber da vida
ceguei-me perante as conquistas
esfomeei minha auto-estima
tão jovem alcancei alguns fins
sem me dar conta pra não me perder.
que seria de mim se o Sol quisesse atingir
e em minha casa ele viesse morrer?
vou me deixar ao vento
planando sem direção
desfrutando das conquistas
para que não escapem de minhas mãos...
...mais mil dias ensolarados
nuvens, frio e trovão
chuvas a lavarem as calçadas
flores a perfumarem o coração
mais mil dores jogadas pela calçada
mil vezes mil dias de solidão
mil vezes mil momentos de alegria
multiplicando a amplitude de percepção
Keila Sgobi
28/08/2006
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20 agosto 2006
Histórias de pescador
I
Dom Serapião plantava girassóis albinos
que dançavam à luz do céu
seguindo as estrelas
a seguir Dom Serapião
II
Os cachorros pestanejavam
girando num movimento florestrelar
ao redor das árvores sem pestanas
recostando à sombra seca
III
Naquele vazio infinito
infinito até dizer chega
chega a hora de parar
parar e fechar a luneta
Keila, Nanna e Remo Saraiva
06/08/2006
13 agosto 2006
Uma Rosa de Cristal
Uma rosa de cristal
Brotando no chão
Uma raiz de fogo
no meu coração
E por incrível que pareça
eu choro na partida
Uma rosa de cristal
por mim ferida
Foi tudo isso que eu falei no artigo 6
Na constituição do artigo 3
E da prostituição o que eu vou dizer
Falta café com leite para todos vocês
E vem a turma da pesada do coração frio
Assassina um zé coitado e joga no rio
Foi tudo isto que eu falei no artigo 6
da corrupção do artigo 3
e da corrupção o que eu vou dizer
falta isto falta aquilo falta até você
E o culpado disto tudo é você zé
Não adianta mais chorar por você zé
Vai pagar todos os imporstos para entrar no céu
quem mandou escrever tua sorte com aveia e mel
e o culpado de tua morte é você zé
E o mundo morreu na hora certa
Certo que renasceria
Mas não renasceu
Na hora certa, zé, na hora certa
Obs.: Uma homenagem ao meu pai, seu Barros.
12 agosto 2006
Matuto na cidade
e os zóio marejô
c'um orváio que caiu
quando a noite se findô
esfriô di arrepiu
já nem vejo nosso sinhô.
Keila Sgobi
31/07/2006
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Ps.: As coisas que o Pedrinho faz...
03 agosto 2006
No cio (ou o verdadeiro amor)
agachei-me no meio-fio
observando uma totó sentada
que olhava para o vazio
Nossos olhares se cruzaram
e a cadelinha compadeceu-se de minha dor
Levantando-se a abanar o rabo
em minha direção caminhou,
entrelaçou-se em meus braços
e minhas mãos beijou
mesmo com sangue em meus lábios
tranquilizei-me com tanto afeto e amor
Keila Sgobi
03/08/2006
(Copyleft)