15 junho 2006

temor

E eu sempre temendo
abrir os meus braços
envolver-te como tentáculos
agarram para sobreviver

escorregar minhas mãos
e sentir-te corpo inteiro
reconhecendo, sem exageros,
seus caminhos sem contra-mão

cheirar-te o rosto
provar-te o gosto
viver em gozo
ser abandonada pela manhã

meu desejo de engolir-te
e, quem sabe, possuir-te
para beijar-te, agarrar-te
e sentir-me plena de amor

sempre temendo, eu temi
e nada pude impedir:
perdi teu corpo, teu cheiro, teu gozo
pago com a alma o preço do meu temor.


Keila Sgobi
02/02/2006

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14 junho 2006




"Deitei-me sobre teu peito
e ouvi algo estranho...
tum-tum
tum-tum

Olhei-te.

O olhar
plácido,
concentrado em meu
rosto.

Não compreendi.

Deitei-me,
novamente,
sobre teu corpo.
E o som se repetiu:
tum-tum
tum-tum.

Perguntei o que te afligia.
Respondeste-me com um beijo.

E fiquei a ser beijada,
ouvindo as batidas
de teu apaixonado coração
que faziam tremer meu corpo
minha alma
minha razão."


Keila Sgobi

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10 junho 2006

Nosso canto...

"Meu canto é meu canto
ao querer estar em teu canto.
encantada pelo teu encanto, eu canto
ao encontro do nosso canto"

Prevejo nosso canto
acariciado pelo vento de nossas asas
semeando os quatro cantos
desta terra mal fadada

asas que revoam juntas
por este concreto separadas
ecoando nossas vozes
nesta dolorosa jornada
propagando o amor poético

nosso canto imortal


Keila Sgobi
10/06/2006


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Leia também "nosso canto", de Octávio Roggiero Neto.

08 junho 2006

Ao meu amigo Poeta

por nós, em uma tarde de outono...



Às vezes,
um pássaro abre a porta de nossa
gaiola,
estende-nos as asas
e nos convida a
voar...

Porém,
não podemos enxergar
e permanecemos a
esperar...


Keila Sgobi
(Octávio Roggiero Neto)

junho/2006


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04 junho 2006

Ao meu poeta...

Censurado.

Mudei de idéia.

Precisa de importantes retoques que sou incapaz de realizar agora.

Solidão

Solidão.

Uma voz
ausente
do outro lado da
linha.

Frio latente
Solidão presente.

E minh'alma se resfria
do amor que sentia...
E chora,
pois ainda sente.


Keila Sgobi

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26 maio 2006

Cora

Ela olha
e se cora
Cora-colorida
na hora da saída.

Ele namora,
então não olha
Lev'embora a preferida
mil beijos na despedida.

Cora olha
e descora
finge que não adora;
por dentro, só chora.

Cora olha,
mas não cora
nem descora
apenas, olha
olha
olha...


E sua última lágrima
seca
rola.


Keila Sgobi
16/05/2006

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20 maio 2006

Corridinho

de Adélia Prado

O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.

18 maio 2006

eu até pensei
- até pensei
em atualizar o poeblog com mais um poemeto
engraçado.

desisti.

o medo não me escurraçou da escola
não me tirou das ruas depois das 23 horas
não me tolhiu o direito de piora

mas estou aqui
olhos abertos
peito pregado de sono
sem respirar
sem respirar
ar.


Keila Sgobi
17/05/2006

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15 maio 2006

um jogo

o Rei exposto
engana o adversário

em poucas jogadas
Bispos derrubam Torres
Torres atropelam Cavalos
Cavalos deixam a Rainha em xeque

num blefe
o adversário reage
e seus Peões são ameaçados

pânico
trânsito no tabuleiro
mórbido.

Peões correm
correm
correm
e conseguem chegar
sãos e salvos...



e no xadrez
eles jogam xadrez
em tabuleiro terreno
com peças humanas



Keila Sgobi

15/05/2006