Por umFil
quase perdi a cabeça
e me aventurei pelo
Brasil.
Quase fiz
coisas
que nunca se
viu;
por pouco não ateei
fogo
com um simples
pavio.
Tentei roubar as
tintas
que a natureza
coloriu,
mas desisti
quando
vi
que,
por elas,
uma menina
sorriu.
Tomar a cor do céu
seria um desvario
já que tal
proposta
nunca,
dantes,
existiu.
Só queria o azul do
céu,
todo aquele lindo
anil
para dar-te,
quando me
encontrares,
meu querido
Fil.
Keila Sgobi de Barros
26/01/2003
para Fil
Sempre encontraremos pedras em nossos caminhos. Algumas serão pequenas; outras, tão grandes que não poderemos olhar por cima delas. A única certeza é de que teremos de saltá-las, destruí-las, observá-las, rodeá-las ou deixá-las em seu próprio caminho. A escolha é nossa.
07 janeiro 2007
26 dezembro 2006
curto-circuito
05 dezembro 2006
50 anos...
meio século de confusões,
encontros e desencontros
certezas e incertezas
caminhos e descaminhos que se cruzaram e descruzaram vezes e mais vezes...
meio século que desacreditamos
: os pais sempre têm 35 anos
para sempre
só as fotos desmentem os cachos que enxergamos
a fartura de cabelos pelo couro
o corpo arredontamente longilíneo
uma distorção da realidade com raízes na nossa infância
de violões e bicicletas e chocolates e suspresas...
e músicas...
e churrascos...
e lutas e ajudas e buscas
uma vida que não existiria sem todas as outras
tantas outras que não existiriam sem esta vida
e este foi apenas um pequeno recorte deste caminho cheio de pedras
de chão batido ou estrelado
parte dele sabemos que está aí dentro
e que faz parte de nossos caminhos
e com o seu,
os nossos nunca mais serão os mesmos...
Keila Sgobi
homenagem ao meu pai em virtude de seu meio-centenário: 05/12/2006
encontros e desencontros
certezas e incertezas
caminhos e descaminhos que se cruzaram e descruzaram vezes e mais vezes...
meio século que desacreditamos
: os pais sempre têm 35 anos
para sempre
só as fotos desmentem os cachos que enxergamos
a fartura de cabelos pelo couro
o corpo arredontamente longilíneo
uma distorção da realidade com raízes na nossa infância
de violões e bicicletas e chocolates e suspresas...
e músicas...
e churrascos...
e lutas e ajudas e buscas
uma vida que não existiria sem todas as outras
tantas outras que não existiriam sem esta vida
e este foi apenas um pequeno recorte deste caminho cheio de pedras
de chão batido ou estrelado
parte dele sabemos que está aí dentro
e que faz parte de nossos caminhos
e com o seu,
os nossos nunca mais serão os mesmos...
Keila Sgobi
homenagem ao meu pai em virtude de seu meio-centenário: 05/12/2006
29 novembro 2006
Poema a 9 mãos
à luz de águas paulistanas...
A chuva cessou
No peito alegre da menina
Triste
Mas as poças ficaram
Nas moças coisas ficam
Espelhando o novo céu que se abre
Espalhadas pelo chão, nesgas e nuvens
Que refletem mais que meu rosto
Desgosto, dizem, infiéis tormentas
Lamentos pelo caos que a tempestade
Deixou
Tantas rachaduras no asfalto
Tantas poças inspiradas pela chuva
Que o mundo escorrem
E escorrem...
Por dedos descuidados
Por vidas que se correm
Nos tempos que nos morrem
Pra chovermos noutras bandas
Umidade do mundo, por onde andas?
poema criado em conjunto pelos participantes do
Primeiro Encontro de Poeblogueiros Rio-SP
( por Czarina, Fejones, Ellemos, Keila, Lasak, Marla "Vlap", Octávio Roggiero, Tahkren, Sandra e Jardim)
26 de Novembro de 2006
26 novembro 2006
Amedrontada
e com o nome de
namorado
o peito bateu
apertado
a felicidade
anunciada
não dormiu na
madrugada
com medo de ser
invejada
e escorrer
pela enchurrada
da Série "O copo está metade cheio ou metade vazio?"
Keila Sgobi
21/11/2006
namorado
o peito bateu
apertado
a felicidade
anunciada
não dormiu na
madrugada
com medo de ser
invejada
e escorrer
pela enchurrada
da Série "O copo está metade cheio ou metade vazio?"
Keila Sgobi
21/11/2006
19 novembro 2006
I (?) Encontro de Poeblogueir@s de São Paulo
Queridos e queridas,
convido-@s a participar do Encontro de Poeblogueiros (estes seres que escrevem poesias e prosas e publicam em sites da internet) em São Paulo. Vamos andar, beber, conversar, dar risadas e, quem sabe, poetar um pouco...
Data: 26 de Novembro de 2006
Horário: 15 horas
Ponto de encontro: Catraca do Metrô Trianon-Masp (linha Verde do metrô)
De lá, sairemos em caravana em direção as nossas vidas.
Como chegar: Pegue qualquer ônibus que passe na Av. Paulista. As opções são inúmeras. Mais informações: www.sptrans.com.br (Clique em Itinerário e em Nome da Via).
Se preferir, vá de metrô. Se vier da linha Vermelha (Corinthians-Itaquera / Palmeiras- Barra Funda), faça baldeação na Estação Sé, embarque na linha Azul sentido Jabaquara, desça na estação Paraíso e faça baldeação para a Linha Verde em direção à Vila Madalena. Então, desça na estação Trianon-Masp e nos aguarde na catraca!
Dúvidas? Comentem!
Eu e Czarina (Nath) esperamos por vocês!!!
16 novembro 2006
08 novembro 2006
dssssssleixossss
no encontro dos beijos
bocas-corpos
corpos-eixos
de teus lábios e enleio
só sentia meu cheiro
Keila Sgobi
23/10/2006
29 outubro 2006
20 de Junho de 2001 – A Gênova Universal
A Carlo Giuliani (in memorian)
e todos os anarquistas mortos em combate
Amanheceu o dia.
Milhares de pequenos jovens guerreiros acordaram
de seus doces sonhos
de seus terríveis pesadelos.
Uma noite dormida ao som das gotas da chuva que previa uma tragédia.
Chorava ela sem que percebêssemos
o que lhe despertara tanta dor e sofrimento.
A aurora nos saúda.
Nem parecia que a noite fora tão fria,
Mas as lâminas douradas ainda não aqueciam aqueles corpos.
Meninos e meninas se preparam para uma batalha de paz.
Escudos de plástico,
Armaduras de espuma,
Máscaras
Panos cobrindo os rostos
Como elmos abençoados
E impenetráveis.
Éramos mais ingênuas crianças
Vestindo-se para uma brincadeira
Do que os verdadeiros guerreiros que representávamos
Naquele momento.
Todos às ruas,
Homens e mulheres
Meninos e meninas.
Queríamos penetrar a zona vermelha
Com nossa alegria
Com nossa esperança
Com nosso desejo de mostrar ao mundo
Que somos todos únicos
E unos.
Um som invade o espaço.
Não são os nossos gritos
Instrumentos de comunicação
Tentando manter a organização de nosso corpo
- milhares de células individualizadas
que não precisavam de muito para se compreenderem:
todas tinham o mesmo objetivo.
Não são nossos passos
Ora lentos
Ora agitados
A avançarem a cidade
Tomando praças.
Nem nossos cantos amigos
Que pediam paz
Igualdade
Solidariedade
Compreensão.
Cassetetes batendo em escudos
Uma música terrivelmente ritmada
Como o ribombar das trombetas anunciando a morte.
Cada batida
Dois passos
Cada batida
Dois passos.
Helicópteros.
Bombas zunindo em nossos ouvidos
Uma confusão de informações
Ir
Ficar
Recuar
Nossa vista embaciada
Fumaça.
Tentamos manter a unidade
Mas o ataque é maciço:
Frente
Retaguarda
Laterais:
Todos e todas encurralados e encurraladas
Não havia fuga:
Sofrer
Ou
Sofrer.
Animais no abatedouro.
Indefesos.
Nossas armas?
Nossos escudos:
Roupas
Peles
O amor, a solidariedade e a vontade que nos movem.
A deles?
Gazes,
Cassetetes
Armas de fogo...
Não.
As pessoas não compreendem.
Elas não querem compreender.
Não sabem.
Não querem se enxergar em nosso rosto cheio de vida!
Pedras lutam contra tudo e todos
Parece a Idade da Pedra.
Ansiedade
Desespero
Medo.
Nenhuma violência era aguardada por aqueles que só queriam algo simbólico.
Um senhor coberto por uma bandeira branca.
Uma garota com flores
Um garoto com balões coloridos
Como aqueles que empunhávamos nos parques
Durante nossa infância,
Nem que não fossem nossos...
Tentando semear a felicidade do aqui-agora.
Não.
Não era isso que eles queriam
Precisavam expiar seus males
Seus temores
Mostrar sua incapacidade de compreender o que é viver
Querer viver
Viver.
Um estrondo.
Um tiro.
Não!
Um garoto.
Sua face escondida por uma touca.
Uma bala atravessa nosso rosto.
Um tapa na cara.
Um buraco em nossa alma.
Entretanto, o coração ainda pulsa.
Pensam que estamos mortos.
Torturam-nos
Xingam-nos.
Dizem asneiras alienadas sobre nossos corpos.
Tudo ouvimos
Tudo sentimos
Tudo choramos.
Mal sabem eles.
Uma morte concreta
Diversas perdidas pelo mundo.
Junto daquele italiano
Sem rosto
Mascarado
Vestes simples
Morreu um pedaço meu
E seu.
No entanto,
Estão todos eles pela completude.
Cada qual em seu espaço
Unindo-se a um todo
Inconscientemente organizado.
Keila Sgobi
27/10/2002
21 outubro 2006
resignação
Ouço teu poema cabisbaixa
Temendo ver em teus olhos
Que não sou a pessoa amada
Keila Sgobi
12/09/2006
Temendo ver em teus olhos
Que não sou a pessoa amada
Keila Sgobi
12/09/2006
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