04 junho 2006

Solidão

Solidão.

Uma voz
ausente
do outro lado da
linha.

Frio latente
Solidão presente.

E minh'alma se resfria
do amor que sentia...
E chora,
pois ainda sente.


Keila Sgobi

(Copyleft)

26 maio 2006

Cora

Ela olha
e se cora
Cora-colorida
na hora da saída.

Ele namora,
então não olha
Lev'embora a preferida
mil beijos na despedida.

Cora olha
e descora
finge que não adora;
por dentro, só chora.

Cora olha,
mas não cora
nem descora
apenas, olha
olha
olha...


E sua última lágrima
seca
rola.


Keila Sgobi
16/05/2006

(Copyleft)

20 maio 2006

Corridinho

de Adélia Prado

O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.
O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.
O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.
Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.
Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.
Mas água o amor não é.

18 maio 2006

eu até pensei
- até pensei
em atualizar o poeblog com mais um poemeto
engraçado.

desisti.

o medo não me escurraçou da escola
não me tirou das ruas depois das 23 horas
não me tolhiu o direito de piora

mas estou aqui
olhos abertos
peito pregado de sono
sem respirar
sem respirar
ar.


Keila Sgobi
17/05/2006

(Copyleft)

15 maio 2006

um jogo

o Rei exposto
engana o adversário

em poucas jogadas
Bispos derrubam Torres
Torres atropelam Cavalos
Cavalos deixam a Rainha em xeque

num blefe
o adversário reage
e seus Peões são ameaçados

pânico
trânsito no tabuleiro
mórbido.

Peões correm
correm
correm
e conseguem chegar
sãos e salvos...



e no xadrez
eles jogam xadrez
em tabuleiro terreno
com peças humanas



Keila Sgobi

15/05/2006

14 maio 2006


As águas Celestiais
escorrem pelo vidro da
janela,
enquanto minhas lágrimas
descem pelo meu
rosto.

Cada gota roçando
Cada canto de minha
face...
Regando minha pele,
- toda umedecida.


Meu pranto vai se
calando
com o serenar da
Chuva,
mas meu peito continua a
Estremecer.

Não consigo pensar...
Não explico o porquê,
Simplesmente não posso entender
Porquê hei de ser só,
De magoar quem amo
Para todo o sempre.


Não adianta.
Meu fim é a solidão.


Keila Sgobi

(copyleft)

13 maio 2006

Making of - Dedão Pedra Caminho...

Inspirado em um poema de Drummond e do meu querido Amigo Poeta Octavio Roggiero, se não me engano...

Ele - o poema e o poeta - acabou (acho que acabaram, não?) me inspirando a criar o poe-blog.

É isso.

Keila Sgobi

06 maio 2006

Dedão Pedra Caminho Sapato

O caminho lá
tem suas pedras a enfrentar
por isso usamos sapatos
para dos pés cuidar.

Mas as pedras são espertas
e gostam de amolar
logo encontram um jetinho
de nos incomodar.

Pequeninas, de mansinho
saem a procurar
qualquer buraquinho
no sapato para entrar.

Eis que gasto ou folgadinho
O sapato dá uma brecha
basta somente um passinho
para a morada certa.


Keila Sgobi
maio/2005

(copyleft)

28 abril 2006

na carruagem...

acomodada em carruagem
metálica
avistei o príncipe
- sem cavalo branco -
ao lado de sua princesa,
aguardando outra carruagem
passar

e eu ali,
princesa,
sem príncipe
nem cavalo branco
na fria carruagem metálica
a fitar...


Keila Sgobi

(copyleft)

22 abril 2006

Making of - A minha casa está na minha mala

Novamente,
Angélica me surpreende com sua interpretação.

"I love this game!"

Gosto muito das visões que ela tem de meus poemas, como consegue transcender ao óbvio.

Eu estava subindo a Rua da Consolação e, em frente ao cemitério, vi um mendigo - não o mesmo de flash back, outro. Ele estava sentado e tinha como morada a rua, como abrigo um cobertor e a sua mala. A sua casa era a sua mala.