17 junho 2006

da aurora à solidão


E o dia fez-se noite.
O sol que animava as flores encolhidas
se foi.

Os pássaros se recolheram,
Estranhos ao anoitecer
Antecipado.

Nada era compreensível
Um vento frio começou a cortar a pele das crianças que brincavam nas ruas.
Todas assustadas.

Não ventara,
Não chovera,
Não chorara o dia todo.

Mas um ar sombrio e triste
Triste e sozinho
Animara-se repentinamente.


A noite escureceu
Despedindo as estrelas e a lua
Que tanto a incomodavam.

Sozinha, a menina sorria

Sorria ao vê-lo amar
E ser amado.

Mas as palavras são sempre mais afiadas que a espada
E a felicidade tornou-se tristeza
E o amor tornou-se solidão.

Seus doces olhos se umedeceram
Sem deixar que uma lágrima escorresse

E o dia fez-se noite
Sem fim de tarde colorido
Sem estrelas reluzindo
Cem noites de solidão.


Keila Sgobi de Barros
13/03/2005


(Copyleft)

6 comentários:

  1. Ai, isso deu abafamento no meu coração...

    Beijos!!
    :)

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  2. , a solidão vem mesmo acompanhados. a tarde colore os corações...

    |beijos meus|

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  3. frio e negro como a noite... e lindo e misterioso como ela.

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  4. Lindo poema!

    Há beleza na solidão...

    Obrigada pela visita! Voltarei por aqui com mais calma.

    Beijos.

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  5. solidão que chega e nos olha de frente...

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