21 abril 2006

A minha casa está na minha mala

A minha casa está na minha mala.
Lá tem meia, tem calça,
- ela é grande e com alça!
Tem blusa, cobertor,
- mais forte que um trator!
Tem ar, tem vazio
- como a mãe que me pariu
Tem solidão, tem dor
- como neste mundo de horror.

E, sozinho,
na minha casa,
eu vivo perambulando pelas
estradas
procurando algo que
caiba
no vazio da minha
mala.

08/08/2002
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5 comentários:

  1. espetacular, genial!
    o solitário que vaga pela estrada da vida não pode pedir mais do que ter uma boa mala como a sua: sua casa, sua alma. Esse vazio será preenchido pelas surpresas do caminho!

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  2. O que saltou aos meus olhos da leitura do poema foi o seguinte: o que temos de fato é o que levamos dentro em nós em nossas andanças: um vazio de existir e uma ânsia de amor.
    Supomos ser capazes de acalentar e preencher o vazio de outro ser. Como isso poderia estar certo, no entanto, se no mais das vezes não somos o bastante para nós mesmos?
    Sinceramente? A minha ternura, que considerava suficiente para uma vida plena, percebi que não é. Aprendi que Jesus Cristo ensinou o amor mais belo, o amor da entrega, o amor puro de quem não pede retribuição pelo esforço e até pelas privações. Mas como é difícil empregar em cada gesto as lições de vida que Ele nos deu com seus próprios atos! Como é difícil ser um bom cristão! Mas se Ele, que é Deus, na condição de homem também passou por tentações e sofrimentos, por que haveríamos de não passar?
    Queria que lê-se estas palavras que escrevo com a compreensão que se espera de uma verdadeira amiga, sem juízos prévios, pois cada uma vem do coração deste poeta.
    Acho que, se buscamos alguma coisa, em verdade, é porque já a temos em potencial em nossa alma; se não, não buscaríamos.
    Não vou negar, encantei-me pela palavra essencial de Cristo Jesus, pois reconheci nelas o que eu buscava, mas que muitas vezes não sabia ao certo, ou mesmo me negava a querer saber.
    É muito difícil externar sentimentos e reflexões tão profundos e até íntimos, mas você sabe como sou: se tem que ser escrito, eu escrevo mesmo. Mesmo porque faço questão de compartilhar isso com você, pois é verdadeiro. E digo mais: isso não tem nada a ver com outras pessoas, se é que você me entende... É uma vivência e uma busca pessoal mesmo.
    Cada vez mais tenho me conscientizado de que o mais importante não é encontrar algo que "caiba no vazio da minha mala", mas, por outro lado, encontrar o que poetize o perambular pelas estradas, um outro olhar que dê sentido a esta jornada, mesmo que o sentido seja aceitar o fato de que ela não tem sentido algum, senão o de viver, simplesmente. Diga lá: e há melhor motivo que esse? Quero olhar isto tudo com beleza, eis a minha busca!
    Keila, muito obrigado pelas suas palavras de sempre, que me animam muito.
    Beijão pra você!
    Té mais!

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  3. Anônimo14:42

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